“Mas afinal, que raios vc veio fazer aqui?”

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Escultura inspiradora para um fim de semestre acadêmico na APU

Quem já estudou ou estuda japonês – ou, ainda, teve um mínimo contato com a cultura japonesa – sabe que todo primeiro contato coletivo nessa terra de meu Deus ou em suas sucursais (cursos de japonês, colônia nikkei e clubes a ela vinculados) envolve um jikoshoukai 自己紹介 (ou autoapresentação, em português meio estranho?). No caso do ambiente acadêmico, faz parte dela mencionar os seus objetivos de estudo – coisa necessária de se ter na ponta da língua principalmente quando o acontecimento coletivo em questão é a temida entrevista para conseguir a sonhada bolsa de estudos.

Quando eu prestei a Jasso, eu tinha uma ideia bem concreta do que eu gostaria de pesquisar no Japão e dos motivos que me fariam julgar a tal pesquisa no Brasil inviável naquele momento, e isso, obviamente, foi dito da forma mais detalhada e clara possível durante a entrevista. Eu, contudo, por mais que tivesse feito minhas buscas, não tinha ideia de como isso seria feito na APU (Aichi Prefectural University, 愛知県立大学 ou simplesmente Kendai para os íntimos); sequer, ainda, tinha ideia de como daria cabo do principal requisito para a viabilização da minha pesquisa: melhorar vertiginosamente minhas skills em língua japonesa. Por mais que o site da Kendai disponibilize um panorama geral dos oferecimentos para intercambistas, a rotina acadêmica a ser executada a princípio parece ser tão vaga e desconhecida que você se sente profundamente imaturo, irresponsável e fanfarrão por pleitear algo sobre o qual não tem a menor ideia. As coisas só começam a ficar claras a partir da primeira setsumeikai 説明会 (palestra), e o caminho rumo ao domínio dos paranauês ryugakuseísticos ainda tem se mostrado longo e tateante.

Pensando, então, nos que já estiveram na mesma situação que eu e prestarão a Jasso neste ou nos próximos anos (ou outra bolsa que tenha um molde semelhante), pretendo fazer, ao longo da minha estadia, uma série de posts explicativos sobre a rotina da faculdade, a recepção acadêmica, os features, as particularidades e as exigências com vistas a tornar os candidatos capazes de darem uma resposta campeã à pergunta do título (e, principalmente, a conscientizar os mesmos de onde estão prestes a amarrarem os seus burros). Vamos ao primeiro, oe!

O programa, a bolsa

O programa de intercâmbio da Aichi Prefectural University contempla a disponibilização de um conjunto de disciplinas destinadas ao aprendizado de língua estrangeira por estudantes estrangeiros de nível superior (sejam eles graduandos ou pós-graduandos). Dependendo da universidade de convênio e dos trâmites do acordo, pode ou não haver exigência de pesquisa acadêmica na instituição; há, ainda, a possibilidade de o aluno poder frequentar as aulas regulares da Universidade caso tenha domínio do idioma suficiente para isso.

No caso da USP, o convênio estabelecido pela FFLCH contempla os estudantes do curso de Letras – Habilitação em Japonês (ouvi falar também de um programa de seis meses vinculado à CCInt Central/Aucani, que, por sua vez, parece ser de natureza totalmente diferente do meu, então fiquem atentos) com a gratuidade dos custos acadêmicos por um ano (universidade pública fora do Brasil não é gratuita, beibe!) e uma bolsa de estudos patrocinada pela Jasso para garantir uma estadia minimamente confortável em termos financeiros. Embora o valor dela seja inferior ao de bolsas como o MEXT e a Heiwa Nakajima, o processo de seleção costuma ser mais tranquilo e sem muitos intermediários: envio de histórico escolar, documentos e carta de intenção; redação (singela); e, finalmente, entrevista com os representantes do programa no Brasil e na APU. Uma vez aceito, basta seguir os trâmites burocráticos demandados pela Comissão de Relações Internacionais da FFLCH e comprar as passagens (por sua conta). O período de inscrição ocorre geralmente no segundo semestre, por volta de setembro e outubro, e a oferta de vagas pode variar de ano para ano.

Outra vantagem da APU é que o programa dela também contempla estudantes de níveis abaixo de N3, apresentando disciplinas voltadas até mesmo para o nível introdutório. Conheci várias pessoas de outros países vinculadas ao programa de seis meses que chegaram aqui com conhecimento ZERO de nihongo e foram devidamente recepcionadas e alocadas dentro do programa de aprendizagem condizente com o nível delas.

A chegada e o início das aulas

Uma vez no Japão, o estudante selecionado será convidado a comparecer a uma palestra acerca dos oferecimentos da universidade, disciplinas disponíveis e prazos, além de realizar um teste de nível que irá qualificar o aluno para frequentar as disciplinas direcionadas ao aprendizado de japonês no nível condizente. O leque é bastante variado; somando disciplinas de aprendizado do japonês e regulares da universidade, você deverá cursar o mínimo de sete créditos para manter o seu vínculo com a instituição (lembrando que um crédito = 1 aula semanal). O pessoal da comissão de relações internacionais da APU costuma orientar os alunos a se inscreverem em muitas disciplinas para que possam ter uma amostragem satisfatória dos oferecimentos durante as duas primeiras semanas para que, uma vez decididos, possam eliminar sem prejuízo quantitativo as que não tiverem interesse no período reservado para isso. Cada aula da Kendai tem a duração de uma hora e trinta minutos; a grade horária, por sua vez, engloba os períodos da manhã e da tarde (sim, prepare-se para buracos, dias vagos, uma aula na manhã e duas no final da tarde, etc).

Paralelamente, o aluno poderá desenvolver sua pesquisa assim que sentir que sua proficiência no idioma dá conta disso. A ideia é que o andamento grosso dela ocorra no segundo semestre, mas nada impede o aluno de iniciar suas buscas logo que as aulas começarem. Ademais, pretendo falar sobre isso mais detalhadamente em um futuro post (assim que eu mergulhar propriamente no processo).

Infraestrutura e acolhimento

Para um estudante da USP, a APU parece uma miniatura de brinquedo: creio que o tamanho do campus pouco ultrapassa o da FFLCH! Universidade pequena, mas que tem a sua robustez: o departamento de línguas estrangeiras, por exemplo, oferece cursos de alemão, russo, coreano, chinês, espanhol, inglês… e português! Na parte de RI, há uma respeitável linha de pesquisa de estudos latinoamericanos (da qual o Prof. Kawabata, responsável também, aliás, pelos estudantes brasileiros, faz parte) e os estudos japoneses não ficam atrás em termos de respeitabilidade.

Há também um centro de línguas, o iCoToBa, em que é possível reforçar, tirar dúvidas e praticar as línguas em intercurso na universidade de forma colaborativa entre intercambistas e alunos. O suporte acadêmico é grande e o acolhimento é maravilhoso – muitas confraternizações e oportunidades para todo mundo interagir em 1937497 línguas estão garantidas. Esta semana, por exemplo, nós – intercambistas brasileiros e portugueses – fomos recebidos com uma festinha pelos grupo de estudantes japoneses que estão na lida com o idioma. Teve até paçoquita ❤ Alguns dos estudantes do grupo pretendem ir para a USP em breve e pudemos sanar rapidamente algumas dúvidas e orientá-los acerca de alguns oferecimentos interessantes para os nihonjins na USP, como o ohanashikai お話し会 semanal na Casa de Cultura Japonesa. Tivemos também várias dúvidas sanadas e dicas da parte da APU (aliás, preciso dizer, Regina-sensei é uma fofa!).

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Watarai-sensei ficou impressionada (e feliz) com o tanto de gente que compareceu! haha

Well, por hoje é só! Vale a pena dar uma olhada nos sites da Kendai e do iCoToBa e ficar por dentro das novidades (BONUS TRACK: instagram da área de Português). またあとで!

O primeiro mês

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Foto do castelo de Nagoya porque, afinal, nas palavras da Tati, Nagoya é a nossa casa.

Quando fui me despedir do Bruno antes de vir para Japão, entre os muitos “conselhos de mãe” que eu recebi (cuidado com o frio, leve um casaquinho etc), um se destacou e ficou a reverberar todos os dias dentro de mim desde que pus os pés aqui: aguente firme o primeiro mês.

Eu naturalmente não sou uma pessoa que se entusiasma com as coisas. Em linhas gerais, eu costumo afastar as pessoas que se comovem com situações de comoção típicas por sempre encará-las como algo trivial e com o qual precisa ser lidado. Talvez por um condicionamento extremo após ser condenada por muito tempo pela minha “expansividade escandalosa”, a ordem do dia é manter firme e forte a casca do meu mau humor de setenta anos (por mais que o rostinho de 20 crie aquele contraste impressionante) – o que nem sempre dá certo, mas isso é um mero detalhe operacional. Em miúdos, enquanto todos se empolgavam com a minha conquista, eu continuava imersa na imensa modorra cotidiana, observando os votos e reações felizes dos que me eram queridos com certo estranhamento, até.

Dito isso, os preparativos para a viagem foram feitos sem aparente euforia: eu estava indo a estudo, para me submeter a um processo que já vislumbrava doloroso para aprender o idioma, e a parte turismo foi significativamente eclipsada com a coisa toda. Ela por fim definitivamente foi escanteada com os gastos para proporcionar o conforto básico para o meu apaato: em menos de vinte dias, meus cento e quarenta mil ienes conseguidos com o suor dos meus indignos freelas foram praticamente para o vinagre (embora eu agora esteja com uma panela de arroz multifuncional, um futon com edredom maravilhosamente macio e quentinho e uma despensa que garantirá a minha barriga cheia por um bom tempo). Como toda boa pessoa venusiana, o dinheiro curto logo trouxe frustração e amargor, e a impossibilidade de sair de Nagoya com os altos valores do shinkansen (visto de estudante não dá direito à aquisição do free pass da maravilha, oe!) fez com que eu ficasse a um passo de uma nova edição da franquia Férias Frustradas em Nagoya.

Outra parte delicada foi, sem dúvida, o impacto com a realidade japonesa, a barreira linguística e o conflito comportamental. É fato conhecido e milenar que o Japão possui uma controversa relação com o Ocidente – e o caso adquire nuances particularmente problemáticas quando o assunto toca na presença de comunidades específicas. Em Nagoya, o caso brasileiro é especialmente exemplar: por mais que seu fenótipo seja passavelmente gringo, o ser ouvido em português pode suscitar as mais diversas reações. Brasileirices à parte, foi com espanto que vi uma garçonete tratar o namorado da prima do Rafa com certa rudeza ao pedir açúcar para por no chá. OK, o chá era de graça; OK, o chá é bebido sem açúcar no Japão (ao menos aquele que acompanha as refeições), mas isso foi frisado sem delongas pela funcionária de um restaurante de Okazaki a um… sujeito descaradamente americano. Fiquei um tempo a pensar se o japonês médio andava ficando meio xenófobo após ser também tratada com rudeza por uma funcionária do mercado próximo ao Kaikan quando quis perguntar a ela (em um relativamente correto e formal japonês) onde havia uma lixeira para latinhas de refrigerante enquanto ela retirava o lixo de garrafas plásticas, sendo interrompida e sequer por ela ouvida… ademais, com o tempo, a mecanicidade, o amor ao script e ao keigo exaustivamente repetitivo e o apreço pelas regras começaram a se tornar algo insuportável para mim, brasileira de sangue italiano que resolve tudo no rompante, na habilidade, no golpe de vista e na conversa. Comecei a ver o cotidiano japonês como algo vazio, insípido e sem sentido, pautado na pura obrigação de manter a ordem intacta, e o desespero começou a brotar dentro de mim.

A gota d’água foi pegar uma disciplina na Kendai com uma professora que, embora não tivesse a mínima noção de inglês (algo meio obrigatório para qualquer acadêmico que se preze em qualquer parte do mundo) a ponto de não conseguir escrever corretamente a palavra inflation, começou a achar graça da minha timidez para falar e dos meus erros de escrita em sala de aula – como se eu tivesse a obrigação de saber mais do que conferia o nível designado para aula. A pergunta “onde é que eu fui amarrar o meu burro?” piscava em neon no meu cérebro, e senti vontade de largar tudo e voltar várias vezes. Voltar para a zona de conforto, onde as pessoas apreciavam meu português colorido e sagaz, onde os meus trabalhos de literatura eram invejados pela sala inteira, onde os professores me amavam e viam em mim algum brilhantismo.

Aguente firme o primeiro mês. Nunca me apeguei tão irracionalmente a uma frase.

Muitas pessoas me ajudaram muito a superar essa crise de primeiro mês, é claro. Amigos que já estiveram aqui; meu namorado, meus pais, meus colegas do núcleo luso-brasileiro da novela Férias Frustradas em Nagoya. Munida de todas essas falas, peguei uma passagem para Tóquio que o Rafa me deu de presente antes de voltar para o Brasil e fiz um bate-volta na minha folga da última quarta-feira. Dar um rolê sozinha, pensar na vida, gastar uns dinheiros (ainda que poucos) em Shibuya. Fazia um tempo lindo. E aí eu vi o Fuji da janela do shinkansen… e descobri porque eu sempre quis vir para cá. Pensei na gentileza e afeto da minha meito que contrariavam toda aquele papo da frieza japonesa, nas pessoas simpáticas que me atenderam e elogiaram o fato de eu saber (ou pelo menos tentar falar) japonês, no sonho de ler e traduzir grandes autores do japonês, nas pessoas boas que dividem espaço comigo (embora tenha pouquíssimas afinidades temáticas com elas), na beleza dos detalhes deste país que só poderiam ser aproveitadas com uma disposição de espírito específica.

E resolvi dar uma try para o Japão.

Não estou achando que a fase de amargor e solidão acabou: naturalmente, muitos outros surtos virão, ainda mais porque o Rafa não está mais aqui e a saudade dos meus pais está começando a bater. No entanto, a aceitação do contexto – e o botão foda-se para a opinião alheia no que se refere à minha expressão em Nihongo (isso inclui o abandono da matéria da professora medíocre em prol de uma mais puxada, mas com uma professora da qual gostei muito) – têm tornado a vida mais leve. Li em algum lugar que aprender uma língua é criar uma nova personalidade dentro de si, e estou procurando encarar dessa forma desde então. Lembro, ainda, que Ánia disse recentemente que estava com medo da Amanda que voltaria do Japão – e talvez eu também estivesse, o que se manifestou na resistência em soltar a língua e, consequentemente, deixar essa personalidade ainda desconhecida aflorar.

Não faz ainda trinta dias, mas acho que posso dizer que aguentei firme o primeiro mês.

Agora só falta passar pelo inverno.

P.S. – prometo parar com as lamúrias e fazer posts mais, hum, informativos nas próximas vezes.

Notas sobre a chegada

Sim, eu estou atrasada nos posts, e sei muito bem disso. O fato é que três semanas se passaram e muitas, mas MUITAS coisas aconteceram. Ensaiei o início deste post várias vezes, pensei em dividir os acontecimentos em várias partes, testei várias perspectivas. Dado o fato de que o período em questão pode ser muito bem caracterizado pela expressão montanha-russa emocional, percebi que seria impossível manter um discurso uniforme, já que passei do amor ao ódio a esse país em uma escala de nanosegundos infinitas vezes. No final das contas, decidi por um resumo em tópicos que poderão ser futuramente desenvolvidos em outros posts, e é isso aí. Ikou?

Sobre a viagem. Remanejamento de voo da Qatar, filmes indianos na playlist da classe econômica (indico, inclusive, este aqui, que é maravilhosamente bom de tão ruim), Deja Vu do Giorgio Moroder tocado por inteiro infinitas vezes, cãibras, chineses aos montes a ignorar as orientações de voo e colocar os brazucas mais tr00zeros no chinelo, escala no insólito aeroporto de Pequim, Air China e seu péssimo serviço (de bordo e de bagagem), delay de um dia das minhas tranqueiras e, no final das contas, uma corrida vertiginosa até a casa da prima do meu namorado em Okazaki, onde fiquei presa por conta do paradeiro das malas por dois dias.

A casa. O 国際留学生会館 (ou simplesmente kaikan, para os íntimos) fica a três minutos de caminhada da estação Minato Kuyakusho do metrô e a 25m no mesmo pé do porto de Nagoya, o que garante muito vento e uma perspectiva de local bastante propício para ver o mar e passar a tarde pensando na vida. Nagoya, ao contrário de Tóquio, não oferece o glamour do entretenimento japonês tipo exportação (a não ser para os viciados em pachinko, afinal, essa praga pode ser encontrada em qualquer esquina de norte a sul neste país), mas garante alguns passeios muito interessantes, como o aquário público, o castelo, o museu da Toyota, Osu Kannon, entre muitos outros que rendem assuntos para outros posts. Há um mercado na quadra ao lado com uma funcionária aparentemente xenófoba (o que rende material para o próximo post, aliás), uma biblioteca na mesma avenida, um Hotto Motto a 15m (aka a Grande Maravilha do Bem Comer a preços baixos), e, na proximidade imediata, uma konbini (única coisa aberta depois das 21h neste país) e um restaurante de udon a preços bem amigáveis. Na república há muitos coreanos, chineses, duas alemãs, três BRs (eu inclusa, obviamente), uma portuguesa, alguns espanhóis e latinos que tentam a todo custo evitar conversar em espanhol com os falantes de português para que a verdade ululante do parentesco linguístico não venha à tona, dois franceses… até onde minha contabilidade pôde alcançar. Quick note: os asiáticos do meu andar já conseguiram o achievement do cartazinho com os dizeres “vamos tentar fazer menos barulho e desfrutar da vida juntos no ISC”. Agradeço o relativo isolamento acústico dos apaatos, o que me faz acompanhar a bagunça dos asiáticos somente quando estou no corredor e próxima à porta.

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Tomando (no) Qoo, sempre

A vida fodona. Eu era incapaz de articular uma simples frase em japonês quando cheguei aqui. Estava assustadíssima com a velocidade de fala dos atendentes daqui, que, de tão condicionados às suas funções, nem esperavam eu articular uma palavra que fosse (ou, ainda, decidir algo entre as várias opções de produtos disponíveis). Hoje em dia me sinto um pouquinho mais confiante e consigo lidar com situações básicas e entender bem o que eles dizem – mas a impaciência para lidar com clientes indecisos parece ser uma característica indelével do pessoal de Aichi. Tecnicamente estou no nível intermediário, mas ainda não consigo fazer frases longas sem hesitar longamente. Uma das alemãs, que está no meu nível, olha divertida para a minha hesitação, talvez esperando um “por que vc não está na turma do intermediário-avançado?”, mas estou tentando ignorar isso em prol da minha saúde mental e da minha aprendizagem no idioma. A velocidade com que estou me habituando aos kanjis e suas leituras é vertiginosamente maior do que estando no Brasil, obviamente – o que só corrobora a máxima de que a imersão é pré-requisito necessário para o aprendizado eficaz de um idioma.